Redação IBEGESP

04 julho 2018

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Mudanças e desafios para o gestor de recursos humanos

Mudanças e desafios para o gestor de recursos humanos

 Mudanças e desafios para o Gestor de Recursos Humanos

 

“O gestor de Recursos Humanos (RH) precisa ter uma formação constante para sempre adequar seus conhecimentos e suas habilidades ao contexto social, para que as políticas de RH possam responder as necessidades da nossa sociedade.”

Thiago Santos

 

Qual o perfil que se espera de um gestor de Recursos Humanos? Quais os desafios que esse profissional irá enfrentar dentro das organizações? O coordenador do Instituto Brasileiro de Educação em Gestão Pública – IBEGESP, Thiago Santos, descreve com clareza os principais pontos que todo gestor de Recursos Humanos deve considerar no desenvolvimento de sua carreira. Confira na entrevista a seguir.

 

IBEGESP: Qual a importância da formação de gestores na área de Recursos Humanos?

 

THIAGO SANTOS: Uma das características do ser humano é que ele deve ser formado para trabalhar da mesma forma como é para conviver na sociedade em que está inserido. Assim acontece quando faço parte de uma organização: eu aprendo como funcionam as regras, os procedimentos e, assim por diante. E não é diferente com o gestor de RH. Ele vai aprender a gerenciar as políticas de Recursos Humanos de acordo com as necessidades da empresa. E a empresa está inserida em um contexto muito maior, regional, nacional e, muitas vezes, até mundial. Um contexto muito mais amplo do que o seu departamento. Por isso, precisa adequar seus conhecimentos e suas habilidades ao contexto social, buscando conhecimento de forma continuada.

 

Sabemos que o profissional de RH deve ter um conhecimento amplo da empresa na qual trabalha. E na administração pública, qual deve ser o perfil desse profissional? 

 

O perfil dos profissionais que atuam em Recursos Humanos pode variar de acordo com sua formação

 

A primeira coisa que devemos lembrar é que não existe um profissional de RH, mas sim os profissionais de Recursos Humanos com seus diversos sistemas e subsistemas, cada um com um perfil específico. Temos o sistema de recrutamento e seleção, de avaliação, de remuneração, de saúde do trabalhador, de treinamento… São vários sistemas, e cada um deles requer um perfil específico. Por exemplo, se estamos falando de remuneração, de cálculo, de projeções de custos, estamos falando de um profissional que precisa ter habilidade de cálculos muito presentes. São pessoas com capacidade de analisar e fazer projeções matemáticas acentuadas. Já o profissional de RH que faz o processo de seleção e faz entrevistas, precisa ter capacidade de comunicação, empatia, que é muito requerida. E além desses subsistemas, tem ainda o nível de atuação. Um gestor de RH trabalha com processos, precisa ter um perfil atencioso e capacidade de projetar o futuro, e saber quais as funções que existirão e quais deixarão de existir. Isso porque as políticas de RH devem refletir como a organização se insere no mundo.

 

E por que o gestor de Recursos Humanos precisa antever o futuro?

 

A área de Recursos Humanos está em constante evolução

 

Para ajudar a construir políticas públicas que possam ir ao encontro dos profissionais certos para atender às necessidades da sociedade, poder recrutar e ter esses profissionais na administração pública. Muitas vezes isso quer dizer reduzir o número, mas melhorar a qualidade desses profissionais, seu perfil para a realização das tarefas. As políticas públicas irão mudar drasticamente nos próximos anos, pois a população está envelhecendo. Por isso a área de gestão de RH é tão importante, é ela quem irá ajudar a construir os serviços que essa organização – seja pública ou privada – irá fornecer para as pessoas.

 

Quais os desafios da gestão pública atual?

 

A gestão pública tem muitos desafios. Um deles é conseguir ter eficiência, gerar eficácia nas políticas públicas e, principalmente, responder de fato, de forma democrática, aos anseios da sociedade. Esse é um grande desafio para a gestão pública. Além disso, na área de RH, um dos grandes desafios é ter profissionais adequados nos lugares necessários, executando atividades com competência. Temos hoje no setor público áreas em que faltam pessoas, outras em que sobram, e com perfis inadequados. Você observa profissionais em áreas estratégicas, áreas que deveriam coordenar as políticas centrais dos municípios, dos estados e até do Governo Federal, com perfil exclusivamente operacional, com uma competência que não é a requerida para o cargo. É muito comum vermos isso, desde o nível de gestão até o nível de operação.

 

Quais as principais mudanças que ocorrerão na gestão pública daqui a 10 anos?

 

Eu acredito que muitas mudanças irão acontecer. Essa coisa da participação, da transparência veio para mudar a noção que tínhamos do administrador público. Antes, quem estava na gestão se apoderava da administração, era o administrador público e não o administrador da coisa pública. Quem ganhava a eleição achava que tinha todo o poder do mundo para decidir o que bem entendesse, esquecendo que todo o poder vem do povo. Eles estão lá para administrar um poder que foi outorgado pelo povo. Outro ponto que gosto de destacar é a entrada da Inteligência Artificial no setor público. Hoje temos soluções como o Poupa Tempo, por exemplo, com atendimento virtual, em que a máquina responde ao cidadão. Isso deve ser ampliado de forma bastante significativa nos próximos dez anos. As tecnologias inteligentes vão mudar drasticamente a forma como a gestão pública é praticada no Brasil e no mundo.

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IBEGESP – Por Cristiane Miranda