O Dia da Consciência Negra e a importância da luta antirracista

Redação IBEGESP

23 novembro 2020

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O Dia da Consciência Negra e a importância da luta antirracista

O Dia da Consciência Negra e a importância da luta antirracista

Senadores e deputados apontam para a urgência do debate sobre o racismo

 

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Dia da Consciência Negra (20/11) foi incluído no calendário escolar nacional em 2003 e instituído oficialmente apenas em 2011, com a publicação da Lei Federal nº 12.519/2011. Para quem não sabe, essa foi a data do falecimento de Zumbi dos Palmares, líder do Quilombo dos Palmares e considerado símbolo da luta pela liberdade e valorização do povo negroque foi morto em 1695 e teve partes do seu corpo expostas em praça pública. Coincidentemente, em 2020, às vésperas do Dia da Consciência Negra, um homem negro foi cruelmente assassinado por seguranças de uma famosa rede de supermercados em Porto Alegre/RS, cena a qual foi filmada por clientes e funcionários do estabelecimento, tornando-se pública.
 
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similaridade dos fatos narrados acima não é coincidência e escancara o caminho tão longo que ainda se tem para percorrer no Brasil com relação à luta antirracista. De acordo com os dados do Atlas da Violência 2020, elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a taxa de homicídio de negros cresceu 11,5% de 2008 a 2018, enquanto a de não negros caiu 12%. Para além disso, de acordo com o Mapa da Violência da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais, a cada 23 minutos um jovem negro é morto no país.
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Em razão dos acontecimentos e dados acima destacados, integrantes da Câmara dos Deputados e Senado Federal de diversos partidos utilizaram as redes sociais para lembrar a data e a importância da luta contra a desigualdade racial e o racismo no Brasil. Entre as manifestações, o Senador Romário destacou:
“O conceito de raça só serve para garantir privilégios a alguns grupos sociais e impor desvantagens a outros. No Brasil, a população negra é afetada pelo racismo há séculos. Sou negro e vim da favela, sei bem que são as pessoas negras que mais sofrem com a violência, a falta de acesso a direitos sociais, educação e emprego. É o racismo que impede as pessoas de ascender socialmente. É papel de todos nós lutarmos para combater esse mal.”

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Ademais, a educação também foi apontada pela senadora Leila Barros como forma de combater a ideia de uma democracia racial no país, que nega a existência do racismo entre os brasileiros. Com relação a este ponto, é imprescindível por em destaque a importância das cotas raciais para que negros possam ingressar nas univerdades e ter acesso à educação, pondo-se em destaque a Lei de Cotas (Lei nº 12.711/2012) – que amplia o ingresso da população negra e indígena ao ensino superior e técnico.

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Por fim, não apenas no Dia da Consciência Negra, é necessário que o racismo estrutural no Brasil seja combatido diariamente por empresas, universidades, instituições políticas e tantas outras que compõem a nossa sociedade. Sem a admissão de que o racismo existe e de que há um abismo social que separa brancos e negros em nosso país, que sofrem com índices alarmantes de analfabetismosubempregos e violência, não será possível prosseguir e evoluir na luta antirracista.

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Redação Radar IBEGESP lamenta profundamente o fato ocorrido com João Alberto Silveira Freitas e reafirma a importância dessas pautas para que, juntos, possamos discutir e combater o racismo estrutural e violência contra os negros, assim como outras questões relacionadas às minorias.

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Fonte: Redação IBEGESP

Fontes Complementares: Senado Notícias Portal Câmara dos Deputados